FISIOTERAPIA PÉLVICA NA LIBIDO FEMININA

2018-07-24

por Thainara Macedo

 

A disfunção sexual na mulher pode interferir em sua saúde mental, levando a uma baixa autoestima, dificultando a relação com o parceiro e a uma diminuição da qualidade de vida. Dentre os transtornos sexuais femininos não é rara a quantidade de mulheres que sentem pouco ou nenhum prazer durante o sexo ou tem dificuldade para chegar ao orgasmo. Sentem dor durante a relação e até mesmo dificuldade ou incapacidade na penetração. A Disfunção Sexual pode ser classificada em:


• Transtorno do desejo/excitação sexual
• Transtorno do orgasmo
• Transtorno da dor gênito-pélvica/penetração


Cerca de 40 à 45% das mulheres apresentam alguma queixa de disfunção sexual, sendo que o desejo sexual hipoativo varia de 32 a 58%, disfunção de excitação e anorgasmia de 30% e dispareunia (Dor durante o sexo) possui incidência variável, progredindo com o envelhecimento1. No Brasil, em um estudo envolvendo 1.219 mulheres, foi observado que a disfunção sexual atinge 49% das mulheres, tendo 23% relatado apresentar dispareunia2.

É importante salientar que para todas as alterações citadas anteriormente, existe tratamento psicológico, médico e a Fisioterapia terá um papel fundamental para a melhora da libido e da dor durante o sexo.

Apesar de estarmos cercados de informações, a grande maioria das mulheres desconhecem o papel e os benefícios da fisioterapia para a saúde intima. Porém o que mais me impressiona é o número alarmante de profissionais da saúde que desconhecem totalmente os benefícios da fisioterapia para a prevenção e tratamento das desordens do Assoalho Pélvico.

Quando a mulher chega ao consultório da Fisioterapeuta Pélvica, é feita uma avaliação criteriosa do Assoalho Pélvico. Questões relacionadas ao sistema urinário, hábito intestinal, sexualidade e história gestacional, são abordadas durante essa fase e são fundamentais para darmos início ao tratamento.

Essas alterações podem ser tratadas e até prevenidas por meio de recursos da fisioterapia, como a terapia manual, a cinesioterapia, a eletroterapia, dentre outros. Durante a reeducação do assoalho pélvico, a mulher adquire maior consciência sobre o seu corpo. O fortalecimento dos músculos dessa região reduz o tamanho do óstio da vagina, o que melhora o atrito durante a penetração, gerando maior prazer. A contração desses músculos comprime a veia dorsal profunda do clitóris, auxiliando no mecanismo de ereção do clitóris e chegada ao orgasmo. Além desses benefícios, com a fisioterapia pélvica é possível prevenir e tratar o Prolapso da bexiga, útero ou intestino; Tratar o vaginismo, dispareunia, vulvodínia, bexiga hiperativa, incontinência urinária ou fecal, etc.

 

É importante que a mulher procure um profissional capacitado para avaliação e um correto diagnóstico. Se tratar sozinha, sem o acompanhamento de um especialista, pode trazer riscos para a sua saúde íntima. Não faça exercícios perineais de forma indiscriminada, pois nem sempre o fortalecimento é o objetivo do tratamento.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 
1. Hayes RD, Dennerstein L, Bennett CM, Fairley CK. What is the true prevalence of female sexual dysfunctions and does the way we assess these conditions have an impact? J Sex Med. 2008;5(4):777-87
2. Abdo CH, Oliveira WM, Moreira ED, Fittipaldi JAS.Prevalence of sexual dysfunction and correlated conditions in a sample of Brazilian women: results of the Brazilian study on sexual behavior (BSSB). Int J Impot Res. 2004;16:160-6.